A lenda morreu. Seu legado musical continua. Enquanto discute-se quem vai herdar a grana, qual a causa da morte e tal... fiquemos com a sua música - matéria prima essencial para milhares de músicos. O Cookin' Soul (no histórico uma bela mixtape em homenagem ao Isaac Hayes) mixou o rei do pop com a turma do hip hop como Ludacracis, Jay-Z, Lil Wayne, Eminem entre outros. Baixe aqui ó.
Já o blog Mashuptown reuniu uma série de mashups (copy/paste/save de canções diferentes) com trechos dos clássicos de Jackson com outros hits. Daí temos Michael com Justice, Freedie Mercury, remixes e releituras. Just beat it!
De ressaca da semana passada? Cure-a no cinema. Começa no próximo dia 25 em São Paulo e no Rio de Janeiro, o In-Edit Brasil, primeiro festival internacional de documentários nacionais. A ideia surgiu lá em Barcelona visando fomentar a produção desse gênero cinematográfico e oferecer ao público a oportunidade de ver títulos difíceis de encontrar nos circuitos comerciais. Após 6 edições na cidade predileta do Woody Allen, o festival desembarca em terras tupiniquins.
Serão exibidos 29 filmes internacionais e 15 nacionais, onde 6 estarão em competição. Bacana que o público poderá escolher qual o melhor doc. brazuca, e o vencedor será exibido em Barcelona em outubro. Além disso. algumas sessões contarão com os diretores de algumas obras onde debates vão rolar.
As atrações atendem a todo o cardápio (e gosto) musical. Filmes sobre os Rolling Stones, punk e hardcore, sobre o Sigur Rós na Islândia, a cena musical de New Orleans, Nina Simone, Elvis Presley, Phil Spector, Motown e Public Enemy estão em cartaz. Estou especialmente curioso para ver "From Mambo to Hip Hop: a South Bronx Tale" que retrata o universo latino de Nova York. Do mambo nos anos 40, passando pela salsa (50s), boogaloo (60s) e o hip hop dos anos 70 e 80, narra as histórias de um bairro e sua música. Imperdível.
A Festa de Inauguração do Festival vai rolar no Museu de Imagem e Som, dia 25 às 20 horas. A programação completa você confere aqui.
Terminei de ler a biografia do irmão da Madonna, o tal do Christopher Ciccone.
"Que raios eu tenho que ler um texto de um cara que perde tempo com estas tranqueiras?"
Bom, se você souber a resposta, e-mail-me que eu agradeço.
Nota-se que o decorador (responsável pelos cenários da turnê Blondie Ambition e por dirigi-la na escandalosa The Girlie Show) é uma figura atormentada pelo sucesso estrondoso da irmã. Mas isto analisando bem superficialmente. Em uma das cartas mal-humoradas (e elas são várias durante o livro) o cara lança a real na rainha do POP: "todo centímetro do seu talento, você sugou das pessoas que te cercam". E o cara está certíssimo: do primeiro DJ que a maluca dormiu pra ver suas músicas tocando nos clubes descolados nova iorquinos, passando pelos diversos estilistas, produtores musicais, videomakers... Madonna forjou sua carreira descascando gente talentosa para formar uma espécie de talento "próprio", o tal faro POP.
O livro (em comparação à biografia "Madonna - 50 Anos", de Lucy O´Brien) é interessante por abordar de maneira "crua", a infância e a escalada de sucesso da cantora. Justamente pelo caráter "tô ressentido" que Christopher adota, o rapaz não poupa nas alfinetadas e nem nos "bafões". Logo, a imagem de popstar imaculada cai por terra e Madonna é rebaixada do status de mito para um ser-humano comum dotado de ambição, avareza e arrogância. Um episódio envolvendo a hipoteca de uma parente muito próxima dos Ciccone e o relacionamento turbulento dela com o irmão, são prazeres (bizzarros, confesso) de ler.
Escapista em sua proposta, divertido em sua execução "A vida com Minha Irmã Madonna" é um livro refresco. Atiça mais a curiosidade de quem é fã assim como os decepciona na mesma proporção: a realeza do POP (vejam só!) também é dotada dos mais comuns defeitos.
PS: Cadê o Photoshop da capa? rs. PS2: Tô lendo "Leite Derramado" do Chico Buarque, mas nem por isto quero absolvição! há.
A sonoridade flerta com o tropicalismo. As letras reclamam das maluquices da modernidade. Da mistura saiu a banda Cérebro Eletrônico, que se alguns momentos se dá a "ingrata missão de imitar o João Gilberto", no final acaba por ser a responsável por injetar ânimo criativo na cena do rock independente.
Reflexo da geração tudo-ao-mesmo-tempo-agora, os integrantes da banda, formada por Tatá Aeroplano (voz e efeitos com brinquedos), Fernando Maranho (guitarra e voz), Izidoro Cobra (baixo e voz), Dudu Tsuda (teclados e voz), Gustavo Souza (bateria), tambem fracionam seu tempo com projetos diversos: Jumbo Elektro, Luz de Caroline, Trash Pour Quatro, Dona Zica, Zeroum, Frame Circus... (a lista prossegue).
Reinações de Narizinho, Alice no País das Maravilhas, Bossa Nova, Sérgio Sampaio... o cérebro eletrônico do grupo paulistano reprocessa a cultura pop, adiciona no caldeirão a história da MPB e desponta como algaritmo promissor nos loops da música hum... moderna.
O Até Parece Moderno entrevistou os integrantes Fernando e Tatá Aeroplano. A dupla comenta as influências e explica a obsessão do grupo pelo "gato preto da MPB", Sérgio Sampaio.
Parecer moderno é...
Fernando: O hippie, o punk, o black, todos parecem modernos hoje em dia. Chegamos num ponto onde o moderno é o retrô e vice-versa. Todos estilos que parecem modernos,na verdade, são releituras de modas que já estiveram por aí.
Como surgiu o nome da banda?
Fernando: Cérebro Eletrônico é o nome de uma canção do grande tropicalista Gilberto Gil, ao mesmo tempo em que traduz o que nós fazíamos no começo da banda, que era um som bem mais eletrônico do que o que fazemos hoje (apesar de ainda mantermos muitos elementos eletrônicos como os beats em algumas canções).
O Cérebro Eletrônico nasceu da necessidade de...
Fernando: Compôr músicas com a referência tropicalista misturando a música brasileira com a atual música mundial.
Alguns integrantes da banda tocam em diversos projetos paralelos. Como vocês conciliam as agendas?
Fernando: Às vezes temos que fazer shows com músicos substitutos, porque damos prioridade às datas que foram marcadas primeiro. Mas existem casos onde priorizamos o Cérebro e aí quem faz shows com músicos substitutos são nossas outras bandas. Funciona tudo na base da conversa, do ajeita aqui, aperta ali...
No myspace vocês citam como referência Pixies, Júpiter Maçã, Fischerspooner, Mutantes... Como estas influências são traduzidas na sonoridade de vocês?
Fernando: São algumas bandas que influenciaram ou ainda influenciam muito nossa sonoridade e composições. Pixies, por exemplo, está em algumas guitarras e no estilo de cantar do Tatá. Júpiter Maçã está no jeito de compôr e nas letras incríveis. Fischerspooner está nos beats eletrônicos. E os Mutantes é a grande banda tropicalista, que trazia rock, samba e Mambo no mesmo disco e até mesmo em uma mesma canção. E é isso que buscamos com o Cérebro.
Várias musicas da banda possuem no titulo referências a artistas ou movimentos artísticos... de onde vem a influência das letras das musicas do Cérebro?
Tatá: Gosto muito do Caetano, do Sérgio Sampaio, do André Abujamra e do Júpiter Maçã. Esses e outros foram e são os mestres das palavras.
A letra da canção "Dominó Tecnológico" desdenha das facilidades modernas. Já a sonoridade da banda flerta o tempo todo com este universo...
Tatá: É uma ironia, porque eu de certo modo tenho dificuldades com a tecnologia, então colocamos isso na música, mas a sonoridade da banda é atual... é "moderna". rs.
Sérgio Sampaio era considerado o "maldito"da MPB, todo atrapalhado e azarado. A lenda é frequentementecitada nas canções do cérebro. Existe uma espécie de identificação?
Tatá: Pois é, acho que fazemos parte de uma geração que veio pra colocar esses artistas considerados malditos em outro contexto. Raul Seixas foi um tropicalista nato, o Sampaio era um grande fã de Caetano e também um tropicalista, eles (Raul e Sampaio) deram continuidade a Tropicália, só que isso não está claramente nos livros, nossa geração está ai pra isso, reverenciar e reorganizar o passado recente da música brasileira.
Ele em uma de suas apresentações foi confrontado no palco por um gato negro. Já aconteceu com vocês alguma bizarrice do tipo?
Tatá: Hum, coisas bizarras sempre acontecem com a gente. Uma vez o extintor de incêndio que eu uso saiu voando .. e por sorte bateu no bumbo do baterista Daniel Setti porque se tivesse pego um integrante .. ai ai ai.
Em uma de suas entrevistas, o Tatá afirmou que encara os discos como filmes em cartaz. Alguns ele escuta durante meses, outros uma vez só. Em qual categoria vocês gostariam/acham que os discos do Cérebro se encaixa?
Fernando: Acho que cada música se encaixaria em uma categoria diferente. Gostaríamos de ser como o Kubrick que em sua obra fez de suspense a ficção científica.
Está no release: "A banda é formada por Tatá Aeroplano (voz e efeitos com brinquedos)". Como assim efeitos com brinquedos?
Fernando: O Tatá usa uns brinquedinhos que compra na 25 de março junto a um pedal de delay, que por sua vez cria timbres muito característicos com repetições muito utilizadas em música eletrônica. São desde cornetinhas de plástico, bonequinhos dos banana de pijamas, a guitarrinhas eletrônicas de brinquedo.
Deus e o Diabo no Liquidificador vai tratar de quais temas? Qual a sonoridade do novo álbum?
Fernando: Ainda estamos compondo as músicas do disco, mas as letras serão permeadas de momentos de nossa vida em que às vezes somos loucos e às vezes somos lúcidos. Temos um essa mistura diabólica-angelical. Só acho legal deixar claro que utilizamos a metáfora religiosa no título mas isso não o torna um disco religioso! Longe disso, rs. Com relação à sonoridade, estamos naturalmente mais maduros nos arranjos e nos firmamos cada vez mais como banda, deixando a eletrônica em segundo plano . Já estamos tocando 5 músicas em nossos shows e algumas podem ser conferidas no Youtube, como "Cama" e "Chapeleiro Louco".
Motown 50 - Yesterday, Today, Forever (2009)
Marvin Gaye, The Temptations, The Supremes, The Marvelettes, Jackson 5... são inúmeras as pérolas talhadas pela lendária gravadora de black music Motown. Logo esta edição comemorativa dos seus 50 anos, torna a audição obrigatória e, claro, cheia de grooves inesquecíveis.
Trutas
Os vampiros de Crespúsculo são amadores perto dos de True Blood. Na série da HBO, a cartilha das criaturas noturnas é composta de sexo e sangue... sintético. Possessões demoníacas, lobisomens e outras aberrações habitam no universo criado por Alan Ball - criador da mórbida série À Sete Palmos.
Nick Hornby entra na literatura adolescente para tratar de temas que não se limitam à molecada. O estilo inconfundível e a narrativa POP valem a leitura.